Respeito!

3 09 2012

Sobre o incidente entre o cavaleiro e os famosos grupos anti-touradas e depois de ouvidas as duas versões, surgiram-me algumas questões para os ditos grupos: se realmente são defensores dos animais, porque apedrejaram o cavaleiro e o cavalo correndo o risco de o cavalo se assustar e o cavaleiro poder perder o controle total sobre o animal podendo ferir gravemente a assistência? Porque correram o risco de ferir o animal? Ou os cavalos não são animais? 
Se se consideram assim tão humanos, acham humano utilizar o acidente que vitimou um jovem forcado, colocando-o numa cadeira de rodas para o resto da vida desejando que o mesmo acontecesse ao cavaleiro? Porventura lembraram-se por um minuto do forcado e da sua família? Lembraram-se que qualquer pessoa pode ficar sujeita a uma situação destas? E se fosse um membro da vossa família? Como reagiriam vocês?
Com isto não estou a defender o cavaleiro, se realmente investiu propositadamente merece ser castig

ado (embora nas imagens pareça que está a tentar controlar o cavalo)
Quanto às supostas provocações que o cavaleiro terá feito ao estar ali, só demonstra um desconhecimento da logística de grande parte das praças no nosso País. Muitas praças do País não têm condições para os cavaleiros prepararem os cavalos para a lide, portanto não são os cavaleiros que provocam.
E atirar pedras e ofender as pessoas não é provocação? Onde está a parte do “pacífico”?

Todos temos direito a manifestar a nossa opinião mas o maior dever que temos é o de respeitar o direito dos outros.
Não gostam de touradas, não assistam!!!
Manifestem a vossa opinião mas sem ofender quem gosta de tauromaquia!

RESPEITEM!

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Cidadania?

6 08 2012

O PCP brindou-nos hoje com mais uma das suas campanhas, optando, uma vez mais por pintar frases em paredes da cidade de Évora.

Não é a primeira vez que o PCP opta por este tipo de intervenção, num claro desrespeito pelo património da cidade que diz querer defender.

Já várias vezes estes actos foram denunciados quer por membros dos vários partidos, quer por cidadãos eborenses que ficam chocados perante tais actos!

A tinta utilizada para fazer a divulgação das campanhas perdura nas paredes até que alguém a limpe e volte a pintar as paredes de branco, esperando que tais actos não se voltem a repetir. Da última vez foram escuteiros e voluntários que tiveram este trabalho, num verdadeiro acto de cidadania que é de reconhecer e louvar.

 

Se as pessoas que pretendem defender a cidadania tomam optam por este tipo de actos para a defender, o que poderemos esperar delas?

Ainda há pouco tempo ouvíamos militantes do PCP a criticar impiedosamente a campanha lançada pela CME denominada “Évora é”, em que apelavam para outro tipo de divulgação que não a pintura de frases nas calçadas e em algumas paredes.

Onde se encontram agora estes militantes? O que têm a dizer sobre isto?

 

Somos pela liberdade de expressão, mas esta não pode passar pelo total desrespeito pelo património da nossa cidade, que é um marco nacional e internacional que todos queremos ver preservado e que todos queremos defender.

Existem várias formas de divulgação de campanhas, que o próprio PCP conhece mas que continua a rejeitar em troca da destruição do património eborense.

 

Na campanha o PCP apela ao respeito pela Cidadania.

Que cidadania é esta em que se pintam paredes para espalhar uma mensagem?

Que cidadania é esta em que os responsáveis não limpam o que fizeram, esperando que, tal como os mesmos afirmaram: “a tinta saia com a chuva”?

Que cidadania é esta em que, para se defender este direito se entra em colisão com a preservação do património?

 

 





Há coisas que me irritam…

13 04 2012

E a existência de pessoas fanáticas que não sabem respeitar os gostos dos outros é uma delas.

Ontem a RTP, transmitiu a corrida de abertura da temporada tauromáquica no Campo Pequeno e logo veio o chorrilho habitual de críticas.

Entre as várias críticas que vi, predomina a que um canal de serviço público não deve passar programas em que são torturados animais e que o argumento da tradição não procede.

Desde pequenina que fui a touradas, sempre com o cuidado de perceber o que lá se passava e à medida que fui crescendo fui-me interessando pela história e pela tradição.

Não me considero uma aficcionada porque ainda me falta perceber muito para tal, mas gosto de assistir a uma boa corrida de touros e, como nem sempre tenho a oportunidade de pagar o elevado preço dos bilhetes cobrado em algumas praças do País, a minha única alternativa é assistir às mesmas pela Televisão.

Quanto à tortura dos animais, toda a gente sabe (e quem não sabe é porque não se informou) que, actualmente, são feitas farpas que não ferem tanto os animais como antigamente (em que sim, admito, era um sofrimento desmedido para os animais).

Após as corridas os animais são abatidos em matadouros para tal autorizados (ao contrário do que acontece em Espanha e em Barrancos onde se assiste à morte do touro na arena). E daí (em alguns casos) a carne vai para as miraculosas couvettes que surgem nas prateleiras dos supermercados e com as quais os pró e contra touradas se deliciam.

Sim porque, embora não sejam todas, há pessoas que criticam as touradas, mas ninguém as ouve falar da forma como muitos animais são engordados com todo o tipo de químicos para que os donos os possam abater (sabe-se lá em que condições) e mais depressa os vender às grandes superfícies comerciais.

Em grande parte das ganadarias tal não acontece. Os animais são criados ao ar livre, e com todas as condições para que possam crescer de forma natural.

E não nos esqueçamos que em praça estão cavaleiros cujos rendimentos provêm do espectáculo e forcados que arriscam a sua vida gratuitamente (sim, porque infelizmente ainda continuam a falecer forcados em praça).

Mas voltando à questão da transmissão das corridas. Se as pessoas não gostam do programa que está a passar têm uma boa solução: mudem de canal!!

Não digo que não manifestem a vossa opinião, todos temos direito a ela e obviamente, todos temos direito a expressá-la, mas se todos temos direito à nossa opinião, todos temos igualmente direito a ver o que gostamos e a RTP tem prestado um grande serviço público no que à tauromaquia diz respeito.

A RTP já teve oportunidade de responder, sustentando que enquanto operadora de serviço público tem que criar programação que abranja todo o tipo de público e todo o tipo de gosto.

Eu, pessoalmente, faz-me alguma confusão o facto de pessoas se degladiarem com espectáculos de circos onde os animais são tratados em condições inconcebíveis.

Mas respeito quem gosta e não ando para aí a apelar ao fim dos circos nem a ofender quem gosta. Simplesmente, continuo a dar a minha opinião e, quando está a dar um desses espectáculos pego no comando e mudo de canal.

Se cada pessoa se lembrasse de criar um movimento para o fim daquilo que não gosta (e confesso que em determinados aspectos da minha vida tal me dava jeito) então ninguém se entendia…

Volto a repetir, respeito quem não gosta de touradas, mas peço também aos que não gostam que manifestem a sua opinião mas que respeitem também que gosta e é aficcionado.

O serviço público é de todos e para todos e não apenas de alguns e para alguns!





O que vai no PS

13 04 2012

Sempre fui simpatizante do PS e de António José Seguro cujo percurso admiro e respeito, mas não posso deixar de discordar com o que se tem passado nestes últimos tempos.

É certo e sabido que há muitos apoiantes de Sócrates/Assis que andam a tentar minar a estrutura interna do Partido e o respectivo Grupo Parlamentar. Este tipo de atitudes numa altura como esta em que a união do Partido é fundamental para que possam existir tomadas de posição conjuntas e coerentes só demonstra que a sede de poder e (perdoem-me a expressão) a despreocupação quanto aos verdadeiros problemas do País ainda por ali imperam.

Tudo começou com a abstenção do PS na votação do Orçamento de Estado para 2012. Já me pronunciei na altura devida e volto apenas a afirmar que acho que foi a opção mais responsável e coerente, tendo em conta a assinatura do memorando da Troika.

A situação foi-se degradando e a bomba começou a eclodir com a revisão estatutária do PS, rebentando com a saída de Pedro Nuno Santos d Vice-Presidência do Grupo Parlamentar.

Quem conhece o percurso e a forma de actuar de Pedro Nuno Santos sabe que esta decisão tem algo muito grave por trás e a polémica em torno do Tratado Orçamental apenas o vem confirmar.

Apesar do argumento apresentado pela Direcção do Partido Socialista, ao votar a favor do Tratado Orçamental, o PS apenas está a demonstrar uma coisa: que por mais propostas que apresente (e assinale-se, propostas de qualidade) irá sempre acabar por fazer a vontade ao Governo.

Se o PS apresentou propostas de alteração ao Tratado que apresentou, foi porque com ele não concordava,e assim sendo, deveria ter votado contra o documento ou, no mínimo, ter-se abstido, reafirmando a sua posição inicial.

Numa altura em que questões tão importantes como a reforma laboral e a inserção do limite do défice na Constituição que irá levar à tão almejada revisão constitucional pelo PSD, o PS tem de mostrar firmeza e determinação nas suas posições e tal, no que à questão do tratado diz respeito não aconteceu.

A situação ainda piorou com a questão da disciplina de voto.

Sempre fui contra a disciplina de voto no seio dos Grupos Parlamentares. Os Deputados são eleitos para representar os portugueses e é respondendo a esse espírito e a esses valores que devem tomar as suas posições e optar por determinado sentido de voto.

Não obstante, e aceitando alguns argumentos expostos para a necessidades da disciplina de voto, não posso concordar com o que se passou nestes últimos dias.

Primeiro foi dada liberdade de voto aos membros do Grupo Parlamentar, depois, ao ver que, muito provavelmente, existiria um número elevado de votos contra o documento, foi alterada essa decisão e foi imposta a disciplina de voto.

Ora, com toda a consideração pelas pessoas que tomaram essa decisão, penso que não terá sido a mais correcta e coerente.

Que imagem dá um Partido que numa questão tão simples não consegue tomar uma decisão definitiva e sem receios?

É tempo de pensar muito seriamente nas posições futuras a tomar pelo PS.

Fui e continuo a ser a favor do Novo Ciclo iniciado por António José Seguro e pela sua equipa, mas este tipo de actuação apenas demonstra que, a continuarem, só colaborarão para um afastamento dos valores que levaram à criação deste projecto.

E isto é tudo o que o PS meos precisa.





Alterações laborais

10 04 2012

 

Quase todos os dias o Governo surpreende-nos com novas propostas de “alterações” laborais.

Alterações que são verdadeiros cortes em direitos adquiridos, há muito conquistados e constitucionalmente garantidos.
Tudo começou com a diminuição das indemnizações por despedimentos para um prazo muito inferior ao praticado na União Europeia.
Passou-se para a flexibilização dos despedimentos e para um novo regime de mobilidade sem a concordância do trabalhador.
Agora surgem duas novas notícias: a possibilidade de despedimento do trabalhador sem o aviso prévio legalmente previsto e o fim das indemnizações por despedimento.
 
Se as medidas anteriormente discutidas e, grande parte delas, já aprovadas retiraram grande parte dos direitos dos trabalhadores, no que à segurança do posto de trabalho e protecção no despedimento dizem respeito, estas duas medidas arrasam com ela completamente.
 
Com a primeira medida apontada e com o alargamento do conceito de justa causa (e não adaptação, como o Governo insiste em chamar), o empregador, fica com toda a tutela e com todo o poder sobre o futuro do trabalhador, podendo despedi-lo, sem qualquer aviso prévio, por um motivo tão indeterminado como o “não enquadramento na empresa”.
 
Com a segunda medida. o trabalhador, que, até aqui ainda tinha alguma (muito parca, diga-se) protecção no despedimento, fica com todas as expectativas criadas completamente defraudadas. 
 
Seão vejamos:
 
Pode ver a sua expectativa na manutenção do seu emprego completamente defraudadas de um dia para o outro, sem qualquer aviso prévio que lhe possibilite a procura de um novo emprego, no espaço que medeia o aviso prévio e o termo efectivo do contrato.
 
Vê-se completamente desprovido da indemnização a que tinha direito e que lhe permitia a procura de um novo emprego com alguma segurança para si e para a sua família.
 
Com o mote da flexibilização da legislação laboral, o Governo está a criar cada vez mais desigualdade entre trabalhadores e empregadores, violando claramente a Constituição e com o apoio silencioso do Presidente da República.
 
Numa altura em que o objectivo do Governo é diminuir os números do desemprego, este tipo de medidas só o vai aumentar e de forma cada vez mais rápida e mais grave.
 
O ministro das Finanças afirma que não esperava um aumento do desemprego para os 15%.
 
O que dirá então quando, com as medidas aprovadas pelo Governo, estes números subirem ainda mais??
 
 
 
Texto também disponível em:  js-evora.blogspot.com




Sr. Presidente…

21 01 2012

ouvi atentamente o seu desabafo relativamente à sua parca pensão de 10.000€.

Já que tomou a iniciativa, permita-me que partilhe a minha experiência consigo.

Sou licenciada há quase um ano, estou inscrita numa Ordem que desrespeita quem quer ingressar na profissão e que não tem qualquer regulação por parte do Governo. Esta mesma Ordem, exige aos estagiários que paguem mais 1300% do que estava inicialmente previsto e que se calem, esperando pelos próximos devaneios do seu Bastonário.

Neste momento encontro-me a estagiar e, tal como muitos dos meus colegas, não aufiro qualquer remuneração mensal, sendo que estou a estagiar fora da minha terra natal.

Esta situação leva a que sejam os meus pais a sustentar-me, A pagar a renda da minha casa, a minha alimentação e as minhas despesas de saúde e transporte.

Tal como o senhor, o meu pai também recebe uma pensão que ronda um décimo da sua. A minha mãe ainda trabalha mas nunca auferiu um salário como o que o Sr. auferiu nos seus cargos no Banco de Portugal e na Fundação Calouste Gulbenkian.

Apesar disso, eles conseguem gerir tudo sem quaisquer fugas aos impostos, pensando sempre no melhor para os seus.

Dados os cortes que o Governo que tanto apoia faz dia após dia, esta gestão teve que sofrer alterações, levando a alguns cortes.

Não sei se o Sr. porventura passou por esta situação mas, no meu caso, com quase 25 anos, custa-me ver os meus pais ainda a sustentar-me, numa altura em que eles deveriam estar a gastar as suas poupanças com eles próprios.

 

Semana após semana sinto vergonha (sim Sr, Presidente, vergonha, algo que duvido que o Sr. tenha) de ter que lhes pedir dinheiro para me sustentar.

No ano passado surgiu uma pós-graduação que me ajudaria em muito na vida profissional que estou agora a iniciar. Apesar da sua importância abdiquei dela por entender que os meus pais não deverão suportar mais este custo.

Tenho procurado algumas alternativas para ganhar algum dinheiro que me permita pagar algumas das minhas despesas, mas a resposta ou não vem ou baseia-se em lugares comuns como a “qualificação a mais”.

Explique-me Sr. Presidente: como é que um argumento como estes pode servir para preterir alguém?

Hoje surgiu a notícia de mais um aumento nos transportes e do corte nos apoios aos jovens. Uma vez mais vou ter que pedir mais um esforço aos meus pais. Mais um esforço que eles vão ter que suportar nas suas despesas mensais. Uma vez mais a vergonha corrói-me.

Apesar de tudo isto, todos os dias me levanto para trabalhar, dou o meu melhor e tento aprender cada dia um pouco mais. Por respeito a quem me ensina e a quem me dá a possibilidade de continuar a investir no meu futuro profissional.

Apesar de tudo isto, sempre que posso, esforço-me por ajudar quem mais precisa.

Isto porque, mesmo nesta situação, ainda me sinto uma privilegiada pelas possibilidades que os meus pais me dão e entendo que devo ajudar quem está numa situação pior do que a minha.

Isto porque, trabalhei vários anos na área da Acção Social e me deparei com situações piores que a minha e que me ensinaram a respeitar as dificuldades dos outros.

Agora pergunto-lhe eu Sr Presidente: será que o Sr. não deveria ter um pouco mais de respeito pelas pessoas que confiaram em si quando o elegeram?

As suas declarações de ontem, para além de demonstrarem um total desconhecimento pelas dificuldades que a população do seu País atravessa, demonstram uma total falta de respeito pelas pessoas do seu País que enfrentam dificuldades suscitadas pela austeridade cerrada que o Governo insiste em impingir com o seu silêncio sempre presente.

Com toda a sinceridade: uma pessoa na sua posição não tem o direito de gozar assim com pessoas que chegam a ganhar 300€ de pensão.

Uma pessoa que na sua posição faz as declarações que faz, não merece o cargo para que foi eleita.

Por isso faça-nos um favor: DEMITA-SE, ou pelo menos continue a remeter-se ao silêncio, pois assim causa menos estragos!

 

 





Devaneio

8 01 2012

 

Sento-me na varanda, acendo um cigarro, deeixo-me absorver pela noite e deixo-me levar, divagando por pensamentos, memórias, nostalgismos e saudades de um futuro que cada vez mais anseio se torne presente.

Cada vez mais tenho saudades de um futuro com algo mais, algo que me preencha, que me faça ter vontade de continuar, algo mais.

Tenho tantas saudades de sair à rua e respirar a plenos pulmões o ar de Lisboa, de sentir a confiança de outrora, de certa forma, de voltar a ser quem era.

Bebo mais um trago desta solidão que aos poucos me vai consumindo, que me corrói, que me atira cada vez para mais fundo.

Toda a minha força, toda a minha coragem, toda a minha vontade de ser, o tanto que quis serm tudo isso se transformou no nada em que me sinto.

Cada vez mais tenho vontade de partir, de recomeçar no zero. Longe de tudo isto que começa a ser maior do que eu e que temo já não ter forças para combater.

Acendo mais um cigarro. Não sei porquê mas o fumo sempre me acalmou.

Respiro fundo e a noite continua a envolver-me. Ao longe o cheiro de uma lareira acesa transporta-me para aquelas noites de Inverno bem frias em que o lume e uma chávena de café eram suficientes.

Hoje parece que falta tanto para ser suficiente!

Onde está esse tempo?

Onde está essa vontade?

Onde está essa independência?

Onde está essa liberdade?

 

Onde estou eu?

 

Saio para a rua, chove torrencialmente!! Deixo-me estar e levar pela enorme de dançar e gritar.

Danço, rodopio, GRITO!!!

 

Afinal parece que o ar de Lisboa sempre esteve lá.