36 anos de liberdade

24 04 2010
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Sobre o teste da polémica

24 04 2010

Devido a outros exames mais ou menos polémicos apenas ontem tive oportunidade de ver o enunciado do teste de constitucional II que anda na boca do mundo.

Em primeiro lugar, nunca fui aluna do Professor Paulo Otero. No entanto, enquanto Professor catedrático da nossa Academia merece todo o respeito e consideração, não valendo de nada as ofensas que tenho lido nestes últimos dias. Em segundo lugar, o Professor já nos tem habituado a opiniões polémicas e à sua parcialidade relativamente a certos e determinados assuntos. É a sua forma de ser e uma vez mais merece ser respeitada. Cada Professor tem a sua forma de dar aulas e não merece ser julgado por isso.

No entanto, com este teste o Professor passou das marcas. Não são as questões apresentadas que merecem esta polémica toda. É a forma como foram colocadas. Por exemplo, já fiz testes e exames elaborados pelo Professor Jorge Miranda com questões relativas a esta mesma matéria e colocadas de uma forma completamente diferente e não foi por isso que os alunos deixaram de poder expressar a sua opinião relativamente ao assunto.

Apesar de ser Professor Catedrático e regente da cadeira o Professor Paulo Otero não tem o direito de ofender a liberdade de escolha dos alunos. Será que o Professor não se lembrou que no anfiteatro podiam haver pessoas com orientação sexual diferente da que ele defende? Será que essas pessoas merecem ser alvo de tal humilhação (sim porque realmente foi disso que se tratou).

Mais do que ideologias políticas o que importa acima de tudo é o respeito pela dignidade da pessoa humana.

Concordo plenamente com a denúncia feita pela Raquel e pelo Paulo demonstrando que por serem alunos não têm de estar sujeitos a todas as vontades e insinuações dos Professores. Demonstrando que mais do que a nota que vão ter (ou não) no final do semestre há interesses que merecem ser defendidos e protegidos. Só tenho pena que, nos tempos que a nossa Academia atravessa actualmente tal força e vontade estejam apagadas por outro tipo de interesses.

A FDL é sem dúvida a melhor faculdade de Direito do País. No entanto, o prestígio não é tudo e numa Faculdade que se propõe a formar bons juristas e acima de tudo bons cidadãos este tipo de atitudes não devem passar em branco. Decerto que muitos de nós já passaram por muitas injustiças naquela Faculdade, mas poucos foram os que realmente se mexeram no sentido de fazer algo, esperando sempre que os outros agissem por eles.

Estes dois estudantes, juntamente com todos os que a eles se têm juntado nestes últimos dias deram-nos um sinal. Este tipo de atitudes sim é digno de quem se propõe lutar por uma melhor Academia.

Quanto ao mediatismo era inevitável. Ainda não há muitos anos ouvi um Professor em plena aula teórica afirmar que “roupa suja lava-se em casa” e que “os senhores é que têm que se preocupar, pois eu já tenho o meu pote de marmelada”, todo ele receoso que certas e determinadas situações passassem para a Comunicação Social.

É certo que a denúncia à comunicação social não se deve tornar um hábito. Existem outras formas de resolução pelas quais se deve optar em primeiro lugar. No entanto, quando este tipo de situações corre o risco de se tornar um hábito e os alunos sentem necessidade de dizer basta devem fazê-lo.

Por fim, resta saber qual a posição que a AAFDL vai tomar relativamente a este assunto. Os interesses dos alunos foram claramente atingidos e merecem ser defendidos ou pelo menos tidos em conta.





Quando o tempo pára…

17 04 2010





É já amanhã!

15 04 2010





Mais um passo

7 04 2010

O Tribunal Constitucional pronunciou-se hoje pela não inconstitucionalidade do casamento civil entre homossexuais, indo de encontro à proposta apresentada pelo Governo e aprovada com os votos de toda a esquerda parlamentar. O Tribunal Constitucional dá então razão à tese sufragada por constitucionalista como Gomes Canotilho e Vital Moreira que se apoiam no artigo 13/2º da CRP que proíbe a discriminação com fundamento na opção sexual dos cidadãos.

Está assim dado mais um passo na aprovação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O documento voltará assim ao Parlamento onde se espera ser novamente aprovado pelos partidos à esquerda.

Portugal está perto de ter mais igualdade.





A devida comédia (por Miguel Carvalho)

7 04 2010

Criancinhas

A criancinha quer Playstation. A gente dá.
A criancinha quer estrangular o gato. A gente deixa.
A criancinha berra porque não quer comer a sopa. A gente elimina-a da ementa e acaba tudo em festim de chocolate.
A criancinha quer bife e batatas fritas. Hambúrgueres muitos. Pizzas, umas tantas. Coca-Colas, às litradas. A gente olha para o lado e ela incha.
A criancinha quer camisola adidas e ténis nike. A gente dá porque a criancinha tem tanto direito como os colegas da escola e é perigoso ser diferente.
A criancinha quer ficar a ver televisão até tarde. A gente senta-a ao nosso lado no sofá e passa-lhe o comando.
A criancinha desata num berreiro no restaurante. A gente faz de conta e o berreiro continua.
Entretanto, a criancinha cresce. Faz-se projecto de homem ou mulher.
Desperta.
É então que a criancinha, já mais crescida, começa a pedir mesada, semanada, diária. E gasta metade do orçamento familiar em saídas, roupa da moda, jantares e bares.
A criancinha já estuda. Às vezes passa de ano, outras nem por isso. Mas não se pode pressioná-la porque ela já tem uma vida stressante, de convívio em convívio e de noitada em noitada.
A criancinha cresce a ver Morangos com Açúcar, cheia de pinta e tal, e torna-se mais exigente com os papás. Agora, já não lhe basta que eles estejam por perto. Convém que se comecem a chegar à frente na mota, no popó e numas férias à maneira.
A criancinha, entregue aos seus desejos e sem referências, inicia o processo de independência meramente informal. A rebeldia é de trazer por casa. Responde torto aos papás, põe a avó em sentido, suja e não lava, come e não limpa, desarruma e não arruma, as tarefas domésticas são «uma seca».
Um dia, na escola, o professor dá-lhe um berro, tenta em cinco minutos pôr nos eixos a criancinha que os papás abandonaram à sua sorte, mimo e umbiguismo. A criancinha, já crescidinha, fica traumatizada. Sente-se vítima de violência verbal e etc e tal.
Em casa, faz queixinhas, lamenta-se, chora. Os papás, arrepiados com a violência sobre as criancinhas de que a televisão fala e na dúvida entre a conta de um eventual psiquiatra e o derreter do ordenado em folias de hipermercado, correm para a escola e espetam duas bofetadas bem dadas no professor «que não tem nada que se armar em paizinho, pois quem sabe do meu filho sou eu».
A criancinha cresce. Cresce e cresce. Aos 30 anos, ainda será criancinha, continuará a viver na casa dos papás, a levar a gorda fatia do salário deles. Provavelmente, não terá um emprego. «Mas ao menos não anda para aí a fazer porcarias».
Não é este um fiel retrato da realidade dos bairros sociais, das escolas em zonas problemáticas, das famílias no fio da navalha?
Pois não, bem sei. Estou apenas a antecipar-me. Um dia destes, vão ser os paizinhos a ir parar ao hospital com um pontapé e um murro das criancinhas no olho esquerdo.
E então teremos muitos congressos e debates para nos entretermos.

Miguel Carvalho (Visão On Line)




Inacreditável

1 04 2010

Quando notícias destas são dadas como um grande passo, algo vai mal na nossa sociedade. Esta é uma discriminação que nunca deveria ter existido. Só vem corroborar as teses defendidas pelas mentes retrógadas e conservadoras que ainda existem no nosso País e que sustentam que a homossexualidade é uma doença.

É certo que mais vale tarde do que nunca, mas choca-me o tempo que este passo levou a ser dado.

Esperemos que outro tipo de discriminações acabe igualmente, de forma a que a nossa sociedade não continua presa a mentalidades de séculos passados.

Também publicado aqui.