Desvario

14 10 2010

Percorro  os corredores deste edifício a que não há muito tempo chamei de minha segunda casa. O orgulho desses tempos desapareceu. As paredes e os caminhos que antes percorria com um brilho no olhar tornaram-se fúteis e o desejo de abandoná-los torna-se cada vez mais e mais forte, mais e mais intenso, mais e mais desesperado.

As pessoas falam e eu respondo. Ao longe, caras conhecidas cumprimentam-me e eu retribuo, sempre com um sorriso (porque afinal eles não têm que carregar com os meus problemas).

Vejo caras novas, com a energia e a motivação que um dia eu própria já tive. Tento transportar-me para esses tempos, para esses sentimentos…nada acontece!

O dia começa a chegar ao fim. A noite que em tempos me consolou torna-se agora mais distante, mais escuro, mais fria. Uma vez mais o silêncio, a dor, a solidão, a vontade de gritar bem alto e de me libertar de tudo isto de uma vez por todas.

Deito-me. Depois de horas de insónias e de voltas atrás de voltas sem conseguir fechar os olhos adormeço. Mais uma volta, mais um sonho estúpido, mais uma ilusão ridícula.

Poucas horas depois acordo com o mesmo sentimento:

Acordo com pena de ter perdido o meu próprio rumo.

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