Eleições primárias

5 07 2011

Tenho seguido com interesse a campanha e as propostas dos dois candidatos à liderança do PS. Sendo sabido que apoio António José Seguro, não quero deixar de realçar que os dois candidatos constituem dois pilares do Partido e que ganhe quem ganhar, cada um dará o seu melhor nestes tempos que se avizinham (e que diga-se não serão nada fáceis).

Apesar do respeito que tenho pela candidatura de Francisco Assis, confesso que não consigo perceber qual a intenção e o benefício da realização de eleições primárias da forma como é proposta.

Embora entendendo o fundamento da necessidade de abertura do Partido às pessoas, penso que este não será o melhor meio para se fazer tal abertura. Existem acções e estratégias para isso.

Numa das propostas relativamente a estas eleições, é dito que poderão votar, não apenas militantes do Partido Socialista como simpatizantes e pessoas que partilhem dos valores de esquerda.

E como se prova esta simpatia? Como se prova que uma pessoa tem valores de esquerda. É sabido que em França é este o sistema e que os votantes têm que assinar uma declaração em como partilhem desses valores.

E caso se venha a descobrir que afinal a pessoa não partilha desses valores nem nunca partilhou? Com este sistema é de facto um risco que se corre.

E mais se diga, se os simpatizantes podem votar, porque não poderão também candidatar-se? Todos nós sabemos porquê. Não faria sentido que à frente do Partido estivesse uma pessoa que não é militante, nem sequer está ligado a qualquer estrutura do Partido.

Penso que em alternativa se poderia abrir a votação aos membros da Juventude Socialista e aos Núcleos Socialistas. Desta forma, os membros da JS e dos Núcleos também teriam uma palavra a dizer quanto aos destinos do Partido, sendo uma forma de incentivo a uma militância activa e participativa.

Está provado que sangue novo e ideias novas nunca fizeram mal e que, em muitos momentos da nossa história, foram determinantes para o nosso País.

Uma outra alternativa pode ser a participação de simpatizantes nas reuniões da Comissão Política onde são decididos os candidatos. Desta forma os simpatizantes teriam uma oportunidade de expressar a sua opinião quantos aos possíveis candidatos e a abertura era conseguida da mesma forma.

Volto a repetir, embora entendendo a necessidade de abertura do PS às pessoas, penso que este não será o melhor meio. Existem muitas acções que podem ser realizadas e nas quais se pode apelar à participação da população em geral.

Aqui há tempos, quando o PSD andava a querer mandar nos destinos da liderança do PS, muitos disseram e muito bem, que quem elege o líder do PS são os socialistas. Penso que (embora com o alargamento à JS e aos Núcleos Socialistas) é assim que deve continuar.