Há coisas que me irritam…

13 04 2012

E a existência de pessoas fanáticas que não sabem respeitar os gostos dos outros é uma delas.

Ontem a RTP, transmitiu a corrida de abertura da temporada tauromáquica no Campo Pequeno e logo veio o chorrilho habitual de críticas.

Entre as várias críticas que vi, predomina a que um canal de serviço público não deve passar programas em que são torturados animais e que o argumento da tradição não procede.

Desde pequenina que fui a touradas, sempre com o cuidado de perceber o que lá se passava e à medida que fui crescendo fui-me interessando pela história e pela tradição.

Não me considero uma aficcionada porque ainda me falta perceber muito para tal, mas gosto de assistir a uma boa corrida de touros e, como nem sempre tenho a oportunidade de pagar o elevado preço dos bilhetes cobrado em algumas praças do País, a minha única alternativa é assistir às mesmas pela Televisão.

Quanto à tortura dos animais, toda a gente sabe (e quem não sabe é porque não se informou) que, actualmente, são feitas farpas que não ferem tanto os animais como antigamente (em que sim, admito, era um sofrimento desmedido para os animais).

Após as corridas os animais são abatidos em matadouros para tal autorizados (ao contrário do que acontece em Espanha e em Barrancos onde se assiste à morte do touro na arena). E daí (em alguns casos) a carne vai para as miraculosas couvettes que surgem nas prateleiras dos supermercados e com as quais os pró e contra touradas se deliciam.

Sim porque, embora não sejam todas, há pessoas que criticam as touradas, mas ninguém as ouve falar da forma como muitos animais são engordados com todo o tipo de químicos para que os donos os possam abater (sabe-se lá em que condições) e mais depressa os vender às grandes superfícies comerciais.

Em grande parte das ganadarias tal não acontece. Os animais são criados ao ar livre, e com todas as condições para que possam crescer de forma natural.

E não nos esqueçamos que em praça estão cavaleiros cujos rendimentos provêm do espectáculo e forcados que arriscam a sua vida gratuitamente (sim, porque infelizmente ainda continuam a falecer forcados em praça).

Mas voltando à questão da transmissão das corridas. Se as pessoas não gostam do programa que está a passar têm uma boa solução: mudem de canal!!

Não digo que não manifestem a vossa opinião, todos temos direito a ela e obviamente, todos temos direito a expressá-la, mas se todos temos direito à nossa opinião, todos temos igualmente direito a ver o que gostamos e a RTP tem prestado um grande serviço público no que à tauromaquia diz respeito.

A RTP já teve oportunidade de responder, sustentando que enquanto operadora de serviço público tem que criar programação que abranja todo o tipo de público e todo o tipo de gosto.

Eu, pessoalmente, faz-me alguma confusão o facto de pessoas se degladiarem com espectáculos de circos onde os animais são tratados em condições inconcebíveis.

Mas respeito quem gosta e não ando para aí a apelar ao fim dos circos nem a ofender quem gosta. Simplesmente, continuo a dar a minha opinião e, quando está a dar um desses espectáculos pego no comando e mudo de canal.

Se cada pessoa se lembrasse de criar um movimento para o fim daquilo que não gosta (e confesso que em determinados aspectos da minha vida tal me dava jeito) então ninguém se entendia…

Volto a repetir, respeito quem não gosta de touradas, mas peço também aos que não gostam que manifestem a sua opinião mas que respeitem também que gosta e é aficcionado.

O serviço público é de todos e para todos e não apenas de alguns e para alguns!

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O que vai no PS

13 04 2012

Sempre fui simpatizante do PS e de António José Seguro cujo percurso admiro e respeito, mas não posso deixar de discordar com o que se tem passado nestes últimos tempos.

É certo e sabido que há muitos apoiantes de Sócrates/Assis que andam a tentar minar a estrutura interna do Partido e o respectivo Grupo Parlamentar. Este tipo de atitudes numa altura como esta em que a união do Partido é fundamental para que possam existir tomadas de posição conjuntas e coerentes só demonstra que a sede de poder e (perdoem-me a expressão) a despreocupação quanto aos verdadeiros problemas do País ainda por ali imperam.

Tudo começou com a abstenção do PS na votação do Orçamento de Estado para 2012. Já me pronunciei na altura devida e volto apenas a afirmar que acho que foi a opção mais responsável e coerente, tendo em conta a assinatura do memorando da Troika.

A situação foi-se degradando e a bomba começou a eclodir com a revisão estatutária do PS, rebentando com a saída de Pedro Nuno Santos d Vice-Presidência do Grupo Parlamentar.

Quem conhece o percurso e a forma de actuar de Pedro Nuno Santos sabe que esta decisão tem algo muito grave por trás e a polémica em torno do Tratado Orçamental apenas o vem confirmar.

Apesar do argumento apresentado pela Direcção do Partido Socialista, ao votar a favor do Tratado Orçamental, o PS apenas está a demonstrar uma coisa: que por mais propostas que apresente (e assinale-se, propostas de qualidade) irá sempre acabar por fazer a vontade ao Governo.

Se o PS apresentou propostas de alteração ao Tratado que apresentou, foi porque com ele não concordava,e assim sendo, deveria ter votado contra o documento ou, no mínimo, ter-se abstido, reafirmando a sua posição inicial.

Numa altura em que questões tão importantes como a reforma laboral e a inserção do limite do défice na Constituição que irá levar à tão almejada revisão constitucional pelo PSD, o PS tem de mostrar firmeza e determinação nas suas posições e tal, no que à questão do tratado diz respeito não aconteceu.

A situação ainda piorou com a questão da disciplina de voto.

Sempre fui contra a disciplina de voto no seio dos Grupos Parlamentares. Os Deputados são eleitos para representar os portugueses e é respondendo a esse espírito e a esses valores que devem tomar as suas posições e optar por determinado sentido de voto.

Não obstante, e aceitando alguns argumentos expostos para a necessidades da disciplina de voto, não posso concordar com o que se passou nestes últimos dias.

Primeiro foi dada liberdade de voto aos membros do Grupo Parlamentar, depois, ao ver que, muito provavelmente, existiria um número elevado de votos contra o documento, foi alterada essa decisão e foi imposta a disciplina de voto.

Ora, com toda a consideração pelas pessoas que tomaram essa decisão, penso que não terá sido a mais correcta e coerente.

Que imagem dá um Partido que numa questão tão simples não consegue tomar uma decisão definitiva e sem receios?

É tempo de pensar muito seriamente nas posições futuras a tomar pelo PS.

Fui e continuo a ser a favor do Novo Ciclo iniciado por António José Seguro e pela sua equipa, mas este tipo de actuação apenas demonstra que, a continuarem, só colaborarão para um afastamento dos valores que levaram à criação deste projecto.

E isto é tudo o que o PS meos precisa.





Alterações laborais

10 04 2012

 

Quase todos os dias o Governo surpreende-nos com novas propostas de “alterações” laborais.

Alterações que são verdadeiros cortes em direitos adquiridos, há muito conquistados e constitucionalmente garantidos.
Tudo começou com a diminuição das indemnizações por despedimentos para um prazo muito inferior ao praticado na União Europeia.
Passou-se para a flexibilização dos despedimentos e para um novo regime de mobilidade sem a concordância do trabalhador.
Agora surgem duas novas notícias: a possibilidade de despedimento do trabalhador sem o aviso prévio legalmente previsto e o fim das indemnizações por despedimento.
 
Se as medidas anteriormente discutidas e, grande parte delas, já aprovadas retiraram grande parte dos direitos dos trabalhadores, no que à segurança do posto de trabalho e protecção no despedimento dizem respeito, estas duas medidas arrasam com ela completamente.
 
Com a primeira medida apontada e com o alargamento do conceito de justa causa (e não adaptação, como o Governo insiste em chamar), o empregador, fica com toda a tutela e com todo o poder sobre o futuro do trabalhador, podendo despedi-lo, sem qualquer aviso prévio, por um motivo tão indeterminado como o “não enquadramento na empresa”.
 
Com a segunda medida. o trabalhador, que, até aqui ainda tinha alguma (muito parca, diga-se) protecção no despedimento, fica com todas as expectativas criadas completamente defraudadas. 
 
Seão vejamos:
 
Pode ver a sua expectativa na manutenção do seu emprego completamente defraudadas de um dia para o outro, sem qualquer aviso prévio que lhe possibilite a procura de um novo emprego, no espaço que medeia o aviso prévio e o termo efectivo do contrato.
 
Vê-se completamente desprovido da indemnização a que tinha direito e que lhe permitia a procura de um novo emprego com alguma segurança para si e para a sua família.
 
Com o mote da flexibilização da legislação laboral, o Governo está a criar cada vez mais desigualdade entre trabalhadores e empregadores, violando claramente a Constituição e com o apoio silencioso do Presidente da República.
 
Numa altura em que o objectivo do Governo é diminuir os números do desemprego, este tipo de medidas só o vai aumentar e de forma cada vez mais rápida e mais grave.
 
O ministro das Finanças afirma que não esperava um aumento do desemprego para os 15%.
 
O que dirá então quando, com as medidas aprovadas pelo Governo, estes números subirem ainda mais??
 
 
 
Texto também disponível em:  js-evora.blogspot.com