O que vai no PS

13 04 2012

Sempre fui simpatizante do PS e de António José Seguro cujo percurso admiro e respeito, mas não posso deixar de discordar com o que se tem passado nestes últimos tempos.

É certo e sabido que há muitos apoiantes de Sócrates/Assis que andam a tentar minar a estrutura interna do Partido e o respectivo Grupo Parlamentar. Este tipo de atitudes numa altura como esta em que a união do Partido é fundamental para que possam existir tomadas de posição conjuntas e coerentes só demonstra que a sede de poder e (perdoem-me a expressão) a despreocupação quanto aos verdadeiros problemas do País ainda por ali imperam.

Tudo começou com a abstenção do PS na votação do Orçamento de Estado para 2012. Já me pronunciei na altura devida e volto apenas a afirmar que acho que foi a opção mais responsável e coerente, tendo em conta a assinatura do memorando da Troika.

A situação foi-se degradando e a bomba começou a eclodir com a revisão estatutária do PS, rebentando com a saída de Pedro Nuno Santos d Vice-Presidência do Grupo Parlamentar.

Quem conhece o percurso e a forma de actuar de Pedro Nuno Santos sabe que esta decisão tem algo muito grave por trás e a polémica em torno do Tratado Orçamental apenas o vem confirmar.

Apesar do argumento apresentado pela Direcção do Partido Socialista, ao votar a favor do Tratado Orçamental, o PS apenas está a demonstrar uma coisa: que por mais propostas que apresente (e assinale-se, propostas de qualidade) irá sempre acabar por fazer a vontade ao Governo.

Se o PS apresentou propostas de alteração ao Tratado que apresentou, foi porque com ele não concordava,e assim sendo, deveria ter votado contra o documento ou, no mínimo, ter-se abstido, reafirmando a sua posição inicial.

Numa altura em que questões tão importantes como a reforma laboral e a inserção do limite do défice na Constituição que irá levar à tão almejada revisão constitucional pelo PSD, o PS tem de mostrar firmeza e determinação nas suas posições e tal, no que à questão do tratado diz respeito não aconteceu.

A situação ainda piorou com a questão da disciplina de voto.

Sempre fui contra a disciplina de voto no seio dos Grupos Parlamentares. Os Deputados são eleitos para representar os portugueses e é respondendo a esse espírito e a esses valores que devem tomar as suas posições e optar por determinado sentido de voto.

Não obstante, e aceitando alguns argumentos expostos para a necessidades da disciplina de voto, não posso concordar com o que se passou nestes últimos dias.

Primeiro foi dada liberdade de voto aos membros do Grupo Parlamentar, depois, ao ver que, muito provavelmente, existiria um número elevado de votos contra o documento, foi alterada essa decisão e foi imposta a disciplina de voto.

Ora, com toda a consideração pelas pessoas que tomaram essa decisão, penso que não terá sido a mais correcta e coerente.

Que imagem dá um Partido que numa questão tão simples não consegue tomar uma decisão definitiva e sem receios?

É tempo de pensar muito seriamente nas posições futuras a tomar pelo PS.

Fui e continuo a ser a favor do Novo Ciclo iniciado por António José Seguro e pela sua equipa, mas este tipo de actuação apenas demonstra que, a continuarem, só colaborarão para um afastamento dos valores que levaram à criação deste projecto.

E isto é tudo o que o PS meos precisa.

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