A campanha de Cavaco

10 01 2011

Se dizia que actualmente poucas coisas me surpreendem, hoje fui obrigada a contradizer-me.

Cavaco Silva veio hoje criticar a má utilização dos fundos comunitários na agricultura. Para tal recorreu a si próprio dizendo que “quando reprovei o meu pai pôs-me na agricultura durante três meses”.

E foi aqui que fiquei surpreendida. Não pela crítica mas pela forma como foi feita. Se no Natal, Cavaco Silva se lembrou de repente que era necessário combater a pobreza, agora toma uma atitude desesperada e faz uma afirmação como esta.

Sinceramente acho de muito mau tom o recurso a este exemplo numa campanha eleitoral. Não passa de um acto baixo de eleitoralismo de alguém que diz que não é político e que se considera um homem sério.

Depois deste exemplo o que vai ele dizer aos agricultores que não viveram apenas três meses da agricultura mas sim a sua vida toda. O que vai ele dizer aos jovens filhos de agricultores que lutam dia após dia por um futuro melhor e por pagar as propinas da Universidade (os que conseguem lá chegar).

É certo que Portugal precisa de agricultores e da agricultura para crescer. Mas se assim foi porque não ficou o digno candidato mais um tempo na agricultura? Será que deu este exemplo aos seus alunos de Economia na Universidade Nova?

Será que durante estes três meses também sofreu as dificuldades que sofrem os agricultores todos os dias durante toda a sua vida?

Depois de trazer o caso BPN para a campanha e de se vitimizar. Depois de tentar atacar Manuel Alegre com um caso que nada tem a ver. Depois de se lembrar por uns meses que existe pobreza em Portugal. Agora recorre a uma táctica baixa de eleitoralismo.

O que se seguirá?

A isto respondo com uma conhecida frase: Pão e circo meus senhores. Pão e circo.

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Exame de acesso ao estágio de advocacia

18 06 2010

Sempre fui contra o exame de admissão ao estágio na Ordem dos Advogados sugerido e criado por Marinho Pinto e que o levou a ganhar as eleições para a Ordem dos Advogados.

Embora esteja de acordo com algumas posições que Marinho Pinto tem apresentado nos últimos tempos como a proliferação de cursos de Direito e o número excessivo de vagas nas Faculdades, não vejo aqui qualquer fundamento para a criação do exame. Não cabe a Marinho Pinto interferir na gestão das Faculdades nem decidir quais são os alunos melhor ou pior qualificados para entrar na Ordem dos Advogados.

Um dos fundamentos que Marinho Pinto avançou para a criação do exame de acesso à OA foi o facto dos cursos de Bolonha (com três ou quatro anos) não prepararem os estudantes para a profissão de advogado. Logo aqui surgem duas questões:

– Se assim é, então porque existiram alunos de cursos pré-Bolonha com três anos a serem admitidos na OA? Só por serem pré-Bolonha têm mais qualidade?

– Em segundo lugar, não são as aulas da Ordem que devem preparar os licenciados para o exercício da advocacia? Se assim não é, então para que servem?

Quanto ao exame em si:

– o grau de dificuldade não justifica a taxa de chumbos. Pessoalmente, durante a faculdade tanto eu como os meus colegas fizemos exames mais difíceis.

– Olhando para a grelha de correcção do mesmo conclui-se que os critérios de correcção não eram assim tão apertados quanto isso.

– em terceiro lugar porque será que os resultados foram divulgados primeiramente à Comunicação Social e só no dia seguinte a meio da manhã aos principais interessados?

Tudo isto não passa de mais uma manobra do senhor Bastonário que já percebeu que em Dezembro vai ter de abandonar o cargo e quer descarregar em alguém.

Uma vez mais sobra para os licenciados que para além de terem sido obrigados a aceitar a adaptação do seu curso a Bolonha agora ainda têm que levar com os caprichos e com as ofensas de um Bastonário que quer impor a sua opinião dê por onde der.

Sobra também quer para os licenciados que chumbaram no exame quer para os finalistas que agora concluem os seus cursos que ficam com o seu futuro pendente até muito provavelmente ao final do ano civil, altura em que se realizarão as eleições para a OA.

Até lá o senhor Bastonário que não conte com sossego pois choverão acções de reivindicação por um direito constitucionalmente garantido bem como providências cautelares como as que tiveram provimento aquando da realização do exame de acesso.

Parece-me que só lhe resta uma solução Sr. Bastonário: DEMITA-SE!





Ele já há muito tempo que andava sossegado

11 05 2010

Ontem, à margem de uma conferência, Alberto João Jardim defendeu o fim de entidades como a ERSE e de instituições como o Tribunal Constitucional como medida para diminuir o défice orçamental.

Vindo de quem vem, a surpresa já não deveria ser muita. No entanto, esta proposta nada mais revela que o total desrespeito pela democracia por parte do Presidente do Governo Regional da Madeira. Para quem está habituado a governar como quer, a controlar jornais, a impedir celebrações do dia da Liberdade e outras coisas do género, o fim do TC nada mais é que o fim de um possível incómodo a medidas relevantes da asfixia democrática que Alberto João Jardim tanto se orgulha de praticar.

Curioso agora, seria ouvir a opinião de Manuela Ferreira Leite que há tempos elegeu o modelo de governação da Madeira como o ideal.

Texto disponível também aqui.





Sobre o teste da polémica

24 04 2010

Devido a outros exames mais ou menos polémicos apenas ontem tive oportunidade de ver o enunciado do teste de constitucional II que anda na boca do mundo.

Em primeiro lugar, nunca fui aluna do Professor Paulo Otero. No entanto, enquanto Professor catedrático da nossa Academia merece todo o respeito e consideração, não valendo de nada as ofensas que tenho lido nestes últimos dias. Em segundo lugar, o Professor já nos tem habituado a opiniões polémicas e à sua parcialidade relativamente a certos e determinados assuntos. É a sua forma de ser e uma vez mais merece ser respeitada. Cada Professor tem a sua forma de dar aulas e não merece ser julgado por isso.

No entanto, com este teste o Professor passou das marcas. Não são as questões apresentadas que merecem esta polémica toda. É a forma como foram colocadas. Por exemplo, já fiz testes e exames elaborados pelo Professor Jorge Miranda com questões relativas a esta mesma matéria e colocadas de uma forma completamente diferente e não foi por isso que os alunos deixaram de poder expressar a sua opinião relativamente ao assunto.

Apesar de ser Professor Catedrático e regente da cadeira o Professor Paulo Otero não tem o direito de ofender a liberdade de escolha dos alunos. Será que o Professor não se lembrou que no anfiteatro podiam haver pessoas com orientação sexual diferente da que ele defende? Será que essas pessoas merecem ser alvo de tal humilhação (sim porque realmente foi disso que se tratou).

Mais do que ideologias políticas o que importa acima de tudo é o respeito pela dignidade da pessoa humana.

Concordo plenamente com a denúncia feita pela Raquel e pelo Paulo demonstrando que por serem alunos não têm de estar sujeitos a todas as vontades e insinuações dos Professores. Demonstrando que mais do que a nota que vão ter (ou não) no final do semestre há interesses que merecem ser defendidos e protegidos. Só tenho pena que, nos tempos que a nossa Academia atravessa actualmente tal força e vontade estejam apagadas por outro tipo de interesses.

A FDL é sem dúvida a melhor faculdade de Direito do País. No entanto, o prestígio não é tudo e numa Faculdade que se propõe a formar bons juristas e acima de tudo bons cidadãos este tipo de atitudes não devem passar em branco. Decerto que muitos de nós já passaram por muitas injustiças naquela Faculdade, mas poucos foram os que realmente se mexeram no sentido de fazer algo, esperando sempre que os outros agissem por eles.

Estes dois estudantes, juntamente com todos os que a eles se têm juntado nestes últimos dias deram-nos um sinal. Este tipo de atitudes sim é digno de quem se propõe lutar por uma melhor Academia.

Quanto ao mediatismo era inevitável. Ainda não há muitos anos ouvi um Professor em plena aula teórica afirmar que “roupa suja lava-se em casa” e que “os senhores é que têm que se preocupar, pois eu já tenho o meu pote de marmelada”, todo ele receoso que certas e determinadas situações passassem para a Comunicação Social.

É certo que a denúncia à comunicação social não se deve tornar um hábito. Existem outras formas de resolução pelas quais se deve optar em primeiro lugar. No entanto, quando este tipo de situações corre o risco de se tornar um hábito e os alunos sentem necessidade de dizer basta devem fazê-lo.

Por fim, resta saber qual a posição que a AAFDL vai tomar relativamente a este assunto. Os interesses dos alunos foram claramente atingidos e merecem ser defendidos ou pelo menos tidos em conta.





Circos, Carnaval, Palhaçadas, Textos, Despachos…

5 02 2010




Olhem com isto tudo…

5 02 2010

BOM CARNAVAL!





Sobre certas e determinadas coisas que ouvi hoje:

16 01 2010

Alguém explica ao sábio senhor com um ego do tamanho do mundo a diferença entre lavagem de roupa suja e exposição de factos?

E por favor alguém lhe explique que na JS o que interessa não é o “eu, eu, eu” mas sim o “NÓS!!”.