Fuga?

3 01 2012

Anda aí tudo muito chocado e indignado pela mudança, por parte do Grupo Jerónimo Martins, da sua sede fiscal para a Holanda.

Sinceramente não sei qual é o espanto, arriscando mesmo a dizer que esta será a primeira de muitas.

Com toda a sobrecarga fiscal que está a ser colocada sobre as empresas (já para não falar da população, pois isso daria um novo post) é natural que perante novas oportunidades de ganhar o mesmo ou ainda mais e pagando menos impostos e menos juros, qualquer um de nós faria o mesmo. Sim, deixemo-nos de falsos moralismos, qualquer um de nós o faria.

Depois vêm pessoas ligadas ao PSD criticar e dizer que jamais comprarão no Grupo. Então não é o nosso Primeiro-Ministro que anda a aconselhar as pessoas a emigrar?

Perante afirmações destas, quem o pode fazer é claramente o que fará.

Se o próprio PM aconselha a população do seu País a emigrar, que confiança poderá transmitir às empresas sitas em Portugal que as leve a permanecer e a aguentar toda a carga fiscal e os juros altíssimos que sobre elas recaem?

Cada vez mais é preciso uma justificação para tanto sacrifício. A estratégia de “isto está muito complicado e todos temos que fazer um esforço” já está a ficar gasta e as pessoas começam a aperceber-se de quais os verdadeiros objectivos de tanta austeridade e de tanta privatização.

Caso não se comece a incentivar verdadeiramente o investimento nas empresas nacionais este será o primeiro de muitos casos de fuga!

E depois?

Mandamos fechar o País?

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Tuna Mista Carpe Noctem

17 11 2011

Deixo-vos aqui o link da página da Tuna Mista Carpe Noctem no Facebook.

É um projecto recente que reúne um grupo de estudantes e antigos estudantes da Universidade de Lisboa com vontade de levar o espírito e a tradição académica onde a diversão nos chamar.

O que oferecemos é boa-disposição, animação, música e espírito académico.

Procuramos pessoas que tenham vontade de participar e que tragam um pouco de si a este projecto!

Visitem a página, o blogue e divulguem!

http://www.facebook.com/pages/Tuna-Mista-Carpe-Noctem/100723403348004

Quem estiver interessado em pertencer é só contactar:

tunacarpenoctem@gmail.com





97 anos! Parabéns AAFDL!

15 11 2011

 

Sem dúvida um dos projectos das nossas vidas. Foi uma honra e será sempre um orgulho pertencer a esta Família!




Voto no OE 2012

11 11 2011

Muito se tem dito e escrito sobre o sentido de voto do PS no OE 2012 e, pessoalmente, tenho assistido a faltas de respeito inadmissíveis em pessoas que se dizem civilizadas. Todos nós temos direito a ter opinião e todos nós temos de respeitar as opiniões contrárias à nossa.

Posto isto, concordo totalmente com a abstenção na votação do Orçamento.

Isto porque:

– Em primeiro lugar porque neste Orçamento estão medidas que constam no memorando com a Troika assinado por PS, PSD e CDS. Ora, votar contra o Orçamento seria votar contra estas medidas, o que iria perfazer uma total irresponsabilidade, fazendo lembrar a cometida pelo PSD aquando do chumbo do PEC IV.

– Em segundo lugar, e no seguimento do que afirmei na parte final do primeiro ponto, ao votarmos contra o Orçamente estaríamos a fazer precisamente aquilo que tanto criticámos (e ainda criticamos). Estaríamos a cair na irresponsabilidade que o PSD caiu ao chumbar o PEC IV e ao fazer cair o Governo. Estaríamos a levar-nos pela sede de poder e de “chegar ao poleiro” custe o que custar.

– Em terceiro lugar, não podemos ser ingénuos ao ponto de pensar que este sentido de voto foi decidido sem qualquer negociação com o Governo. Muitos têm criticado o facto da decisão ter sido antecedida por reuniões “supostamente secretas” entre António José Seguro e Pedro Passos Coelho. Ora se estas conversas existiram, algum objectivo tiveram e julgo que terá sido a discussão de contrapartidas.

– Em quarto lugar, abstenção não é votar a favor. Muito pelo contrário, ao optar pela abstenção abre-se não só o caminho para o cumprimento das medidas assinadas com a Troika mas também o caminho para a negociação das medidas das quais discordamos e para a implementação de medidas por nós propostas.

– Em quinto lugar, todos sabemos que o actual Governo está a aproveitar-se do Orçamento de Estado para aprovar medidas gritantes (veja-se o caso do fim do desconto de 50% nos passes dos estudantes e dos reformados). Para poder lutar contra elas é necessário ceder noutras medidas que possam realmente contribuir para o crescimento económico e social do País. Todos sabemos que apesar de estarmos em democracia, ninguém dá nada a ninguém (é a chamada lei da negociação).

– Em sexto lugar e contrariamente ao que vi escrito hoje, lá por nos abstermos, não quer dizer que não discutamos e não apresentemos a nossa opinião, nem denunciemos as atrocidades que o Governo pretende cometer. Veja-se por exemplo a intervenção do Deputado Pedro Nuno Santos sobre o Orçamento de Estado e facilmente se chega à conclusão que não iremos aceitar tudo o que estes senhores nos querem impingir.

– Em sétimo lugar, não nos podemos esquecer que a abstenção será na votação na generalidade. Ainda falta a discussão na especialidade e aí sim serão discutidas uma por uma todas as medidas propostas para o Orçamento. Caso o Governo insista em manter medidas que só levarão ainda mais ao empobrecimento dos portugueses e não mostre abertura às medidas propostas pela Oposição então o sentido de voto deverá mudar e deverá ser contra!

Por fim, gostaria de relembrar que todas as opiniões devem ser respeitadas e que não devemos cair em extremismos que não levam a lado nenhum. Os tempos pedem discussão e uma intervenção responsável. Não pedem discussão por discussão e crítica por crítica sem qualquer tipo de conteúdo. Está provado que o bota-abaixismo não leva a lado nenhum.

 





O Sr. Costa

31 10 2011

 

O senhor Governador 

do Banco de Portugal!…

 

Neste país há investigadores universitários que estudam todos os dias até altas horas da noite, que trabalham continuamente sem limites de horários, sem fins-de-semana e sem feriados. Há professores universitários que dão o seu melhor, que prepararam cuidadosamente as suas aulas pensando no futuro dos seus alunos, que dão o melhor e sem limites pelas suas universidades. Há policias que ganham miseravelmente, que não recebem horas extraordinárias, que pagam as fardas do seu bolso e para sobreviverem têm de prestar os serviços remunerados.

Toda esta gente e muita mais que poderia ser referida foi eleita como a culpada da crise, denunciada como gorduras do Estado, tratada como inutilidade social, acusada de ganhar mais do que a média, desprezada por supostamente não ser necessária para a direita se manter no poder. Mas há uns senhores neste país que ganham muito mais do que a média dos funcionários públicos, que têm subsídios extras para tudo e mais alguma coisa, que cumprem com incompetência as suas funções, que recebem pensões chorudas, que vivem do dinheiro dos contribuintes como todo o Estado, mas que não foram alvo de nenhuma das medidas de austeridade que até hoje foram aplicadas aos funcionários públicos. São os meninos e meninas do BdP.

Ainda as pessoas mal estavam refeitas do anúncio da pilhagem aos seus rendimentos e há um tal Costa, governador do Banco de Portugal, vinha defender que as medidas deste OE deveriam prolongar-se par a além de 2014. Isto é, o senhor defende que os cortes se tornem definitivos. No mesmo dia a comunicação social informava que as medidas de austeridade aplicadas aos funcionários públicos não seriam aplicadas aos funcionários do banco de Portugal, o argumento para tal situação era o da independência do banco.

Mas se o Governo não pode nem deve interferir na gestão do BdP e o senhor Costa se comporta como um cruzamento entre a ave agoirenta e o Medina Carreira o mínimo que se espera é que ele dê o exemplo pois nada o impede de aplicar aos seus (incluindo os pensionistas do BdP) a austeridade que exige aos outros. No caso do BdP o senhor Costa não só estaria a adaptar as mordomias dos funcionários públicos e pensionistas do BdP à realidade do país como estaria a dar um duplo exemplo, um exemplo porque aplica aos seus a austeridade que exige aos outros e um exemplo porque chama os seus a responder pela incompetência demonstrada enquanto entidade reguladora de bancos como o BPN ou o BPP.

Porque razão um professor catedrático de finanças ganha menos do que um quadro do BdP, não recebe subsídio para livros como este e na hora da austeridade perde parte do vencimento e os subsídios enquanto o funcionário público do BdP não corta nada e muito provavelmente ainda recebe um aumento?

E já que falamos no BdP que tanto se bate pela transparência das contas públicas e do Estado enquanto o seu governador anda por aí armado em santinha das finanças, porque razão os vencimentos e mordomias do BdP não aparecem no seu site de forma a que sejam conhecidas pelos contribuintes que as pagam? Todas as colocações, subidas de categoria e remunerações dos funcionários públicos são divulgadas no Diário da República mas o que se passa no BDP é segredo, muito provavelmente para que o povo não saiba e assim manterem o esquema.

Ainda a propósito de transparência seria interessante saber porque razão os fundos de pensões da banca vão ser transferidos para o Estado e o do Banco de Portugal fica de fora. O argumento da independência não pega, o que nos faz recear que o fundo de pensões seja abastecido de formas pouco aceitáveis para os portugueses. Seria interessante, por exemplo, saber a que preço e em que condições uma boa parte do imobiliário que o banco detinha por todo o país foi transferido para o fundo de pensões dos seus dirigentes e funcionários.

É por estas e por outras o senhor Costa não tem autoridade moral para propor o mais pequeno sacrifício seja a quem for e deveria abster-se de aparecer em público.

 Este senhor só merece a resposta que lhe daria o saudoso Almirante Pinheiro de Azevedo:

“que vá bardamerda!…”

 

Vi este texto hoje e não pude deixar de comentar:

Infelizmente o que o Sr. Costa anda a sugerir, está a ser sugerido pelo Governo. O Sr. Relvas já anda a dizer que em muitos países da Europa os trabalhadores não recebem subsídios de férias nem de Natal. Já se houve falar no prolongamento do corte dos salários na função pública (o que é uma clara inconstitucionalidade). Já se fala que a tal meia-hora que os trabalhadores vão ter que dar à borla devia ser uma hora…A cultura deixou de ser Ministério e passou a ser Secretaria de Estado. O acesso a tudo o que é cultura está cada vez mais caro.Para cúmulo veio um Sr. Secretário de Estado afirmar que o melhor era os jovens emigrarem. Por aqui se vêem as intenções deste Governo: tirem a cultura ao povo e afastem os jovens do País. Assim o povo fica “estúpido” e deixa-nos fazer o que queremos entalando-os cada vez mais e mais com a desculpa dos erros do passado, e os jovens ficam lá bem longe sem poderem reivindicar o que é seu por direito. Todos sabemos que grandes movimentos que trouxeram grandes mudanças começaram no movimento estudantil. É disto que estes senhores têm medo?

Só mais duas perguntas: não foi o excesso de sacrifícios pedidos aos portugueses que levaram ao chumbo do tão mal-afamado PEC IV e à consequente queda do Governo? Para que foi aquele discurso do Sr. Cavaco Silva dedicando a vitória aos jovens se agora o seu protegido os quer mandar embora? Isto realmente a sede de poder tem muito que se lhe diga.





Escandaloso!

3 08 2011

“Para testar os dados avançados pelo presidente do INEM sobre os tempos de atendimento nas centrais do serviço – 5 segundos em 62% das chamadas -, o PSD resolveu fazer a prova ligando para o “112”.

“O grupo parlamentar do PSD fez, já durante esta audição, uma chamada para o serviço 112. Desde o primeiro toque até serem atendidos, decorreram 14 segundos. Evidentemente que este é um exemplo, mas nove segundos de diferença entre os 5 segundos e os 14 segundos desde o primeiro toque até ao atendimento efectivo podem, de facto, fazer a diferença na vida ou na morte de um cidadão que contacte o INEM”, diz Joana Barata Lopes, deputada do PSD.

A bancada socialista lembrou que fazer chamadas falsas para o INEM é crime e o próprio presidente do instituto não deixou de o frisar também: “Foi aqui dito – quem sou eu para julgar – que chamadas falsas para o 112 constituem eventualmente um ilícito e eventualmente um crime”, disse Miguel Soares de Oliveira, presidente do INEM, que esteve hoje no Parlamento.

A deputada social-democrata Joana Barata Lopes lembrou ainda que a auditoria do Tribunal de Contas apontava para um tempo médio de espera no atendimento entre 12 e 13 segundos.

Miguel Soares de Oliveira aproveitou para esclarecer “um erro habitual”: ligar para o 112 não é o mesmo que ligar para o INEM. “Só depois de triada a chamada, [feita] muito rapidamente pela central 112 da PSP, é que a chamada é transferida para o INEM e é a partir daí que começa a nossa quota-parte de responsabilidade – que é grande e que estamos a melhorar. Agora, não podemos confundir o 112 com o INEM – é um erro clássico, habitual, enraizado na cultura do povo e que temos de alterar. O 112 não é o INEM”.

O PSD insistiu numa interpelação: “No documento que acabaram de distribuir, o tempo começa desde que ligamos para o 112. Qual é o tempo de espera efectivo?”.

“O INEM não recebe, não tutela as chamadas do 112. As chamadas 112 entram na central da PSP”, respondeu Miguel Soares de Oliveira.”

Fonte: RR

Se isto fosse uma brincadeira de crianças, apesar da gravidade, não se estranhava tanto. Agora vindo de uma deputada que deve representar os portugueses e que acima de tudo deve ter conhecimento dos seus deveres a gravidade é ainda maior e tal acto deve ser punido.
Tal como várias entidades reafirmaram aqui há tempos, este tipo de “brincadeiras” pode pôr em risco a vida de pessoas. Imagine-se por exemplo que para atender esta chamada, o operador do 112 deixou de atender uma chamada de alguém que está a ter um ataque cardíaco.
É por estas e por outras que tal acto é um crime previsto e que a deputada deve ser punida pois se qualquer cidadão que o faça o é, não vejo motivo para aquela o não ser (podendo mesmo a pena ser agravada).

Fica aqui uma sugestão: Para a próxima em vez de pôr em risco a vida de portugueses que realmente necessitam deste serviço procure deslocar-se às instalações do INEM. Decerto obterá os resultados que pretende e dos quais poderá retirar as suas conclusões.





Eleições primárias

5 07 2011

Tenho seguido com interesse a campanha e as propostas dos dois candidatos à liderança do PS. Sendo sabido que apoio António José Seguro, não quero deixar de realçar que os dois candidatos constituem dois pilares do Partido e que ganhe quem ganhar, cada um dará o seu melhor nestes tempos que se avizinham (e que diga-se não serão nada fáceis).

Apesar do respeito que tenho pela candidatura de Francisco Assis, confesso que não consigo perceber qual a intenção e o benefício da realização de eleições primárias da forma como é proposta.

Embora entendendo o fundamento da necessidade de abertura do Partido às pessoas, penso que este não será o melhor meio para se fazer tal abertura. Existem acções e estratégias para isso.

Numa das propostas relativamente a estas eleições, é dito que poderão votar, não apenas militantes do Partido Socialista como simpatizantes e pessoas que partilhem dos valores de esquerda.

E como se prova esta simpatia? Como se prova que uma pessoa tem valores de esquerda. É sabido que em França é este o sistema e que os votantes têm que assinar uma declaração em como partilhem desses valores.

E caso se venha a descobrir que afinal a pessoa não partilha desses valores nem nunca partilhou? Com este sistema é de facto um risco que se corre.

E mais se diga, se os simpatizantes podem votar, porque não poderão também candidatar-se? Todos nós sabemos porquê. Não faria sentido que à frente do Partido estivesse uma pessoa que não é militante, nem sequer está ligado a qualquer estrutura do Partido.

Penso que em alternativa se poderia abrir a votação aos membros da Juventude Socialista e aos Núcleos Socialistas. Desta forma, os membros da JS e dos Núcleos também teriam uma palavra a dizer quanto aos destinos do Partido, sendo uma forma de incentivo a uma militância activa e participativa.

Está provado que sangue novo e ideias novas nunca fizeram mal e que, em muitos momentos da nossa história, foram determinantes para o nosso País.

Uma outra alternativa pode ser a participação de simpatizantes nas reuniões da Comissão Política onde são decididos os candidatos. Desta forma os simpatizantes teriam uma oportunidade de expressar a sua opinião quantos aos possíveis candidatos e a abertura era conseguida da mesma forma.

Volto a repetir, embora entendendo a necessidade de abertura do PS às pessoas, penso que este não será o melhor meio. Existem muitas acções que podem ser realizadas e nas quais se pode apelar à participação da população em geral.

Aqui há tempos, quando o PSD andava a querer mandar nos destinos da liderança do PS, muitos disseram e muito bem, que quem elege o líder do PS são os socialistas. Penso que (embora com o alargamento à JS e aos Núcleos Socialistas) é assim que deve continuar.